BIOGRAFIA DE SÃO LUÍS

Luís Maria Grignion de Montfort nasceu em um povoado da França, Montfort-sur-Meu, perto da cidade de Rennes, em 31 de Janeiro de 1673, durante o reinado de Luís XVI, uma época brilhante para a literatura e as artes, mas também quando haviam muitos pobres, muita fome e muita injustiça. Filho de uma família da baixa burguesia, foi o segundo dos 18 irmãos, o mais velho dos que morreram em idade adulta, já que sete dos filhos morreram ainda criança. Passou a maior parte de sua infância em Iffendic, a poucos quilômetros de Montfort, onde seu pai havia comprado uma propriedade conhecida pelo nome de "Le Boir Marquer". Desde criança demonstrava um terno amor para com Maria, e muitas vezes reunia os irmãos menores e outros colegas para rezar aos pés de Nossa Senhora.

 

Aos onze anos de idade iniciou os estudos (ensino secundário) no colégio São Tomás Becket, em Rennes, dirigido pelos Padres Jesuítas. Luís era um estudante exemplar e muito piedoso: não era raro encontrá-lo fazendo orações em frente a uma imagem de Maria, em alguma das igrejas da cidade; nas aulas, demonstrou ser um aluno excepcional. A mais, dedicava alegremente seus dias de folga e descanso para ajudar os pobres.

 

Entrada no Seminário

 

A medida que passavam os anos, se fazia mais claro o desejo de ser sacerdote. Toma a decisão definitiva aos pés de Nossa Senhora dos Milagres, segundo ele mesmo disse. A intervenção inesperada de uma benfeitora - a Senhorita de Montigny - lhe abrirá o caminho para poder realizar seus estudos no Seminário de Paris.

 

No outono de 1692 faz, a pé, a viagem até Paris. Pelo caminho, deixa claro sua opção: vai entregando aos pobres todo o que seus pais tinham sido capazes de lhe dar: uma roupa nova e algumas poucas moedas. Só queria o que a Providência lhe concedesse. 

 

Em Paris as coisas não se passaram como se haviam previsto: um ano depois de sua chegada, deixou de receber a pensão de sua benfeitora. Teve que entrar nas

comunidades para seminaristas pobres dos senhores "Barmondière" e "Boucher", vendo-se obrigado a pedir esmolas e a velar os mortos durante a noite na paróquia para pagar seus estudos.


Por causa deste trabalho excessivo, a pouca alimentação e também poucas horas de sono, ficou gravemente doente. Recuperado, pode entrar, por fim, no Seminário São Sulpício. A vida era austera, a comida pobre e a disciplina rígida, mas ele continuava sendo um estudante excepcional.


Conseguido o título de Bacharel em Teologia na Universidade da Sorbona, preferiu deixar as aulas universitárias e completar sua formação sacerdotal com o trabalho pessoal na rica biblioteca do seminário, aproveitando que era o bibliotecário. Era um leitor assíduo. Seu amigo Blan escreveu que quase todos os livros sobre vida espiritual passaram por suas mãos.

 

Terminou sua formação e foi ordenado em 5 de junho de 1700. Vive suas primeiras experiências missionárias na comunidade São Clemente, em Nantes. Não encontra ali o que esperava e começa e examinar outras opções, convencido que Deus lhe chama a pregar missões aos pobres. Sonha, inclusive, fundar, para esta finalidade, uma pequena companhia de sacerdotes agrupados sob o estandarte da Santíssima Virgem.

 

No Hospital Geral de Poitiers, com os pobres

 

A marquesa de Montespan, antiga favorita do rei Luís XVI, que encontra na tomada de hábito de sua irmã Guyonne-Jeanne (Luísa), lhe persuade para que ele vá expor seus projetos aos Bispo de Poitiers. Assim ele o faz e, pouco depois de sua chegada, o Bispo lhe nomeia capelão do Hospital Geral, uma espécie de asilo onde se jogavam os indigentes e vagabundos para que não molestassem a boa sociedade.

 

Luís Maria se entrega com todo entusiasmo e generosidade ao serviço destes pobres, identificando-se com eles ao ponto de comer junto deles; um modo de agir que não agrada o clero da cidade. Por outra parte, as reformas que pretende introduzir, para melhorar a qualidade de vida dos internos, lhe coloca em confronto com os administradores do Hospital. As tensões surgidas fazem que ele seja obrigado a abandonar a instituição.

Volta então a Paris, mas seus amigos e conhecidos lhe viram as costas. Se refugia em um quarto, debaixo de uma escada, na rua Pot-de-Fer, perto da casa de formação dos Jesuítas. Vive na mais absoluta carência, mas encontra consolo na relação íntima com Deus, passando em oração grande parte do dia e da noite. Acredita-se que foi neste período que ele escreveu o livro "O Amor da Sabedoria Eterma. 

 

Havia passado um ano desde sua partida de Poitiers quando os pobres do Hospital Geral decidiram escrever uma carta ao Bispo pedindo o regresso de Grignion, aquele que tanto ama os pobres. O Bispo, sensível aos clamores dos pobres, chama novamente a Luís Maria. Este regressa e empreende novamente seu projeto de reformas, ajudado por Maria Luisa Trichet, uma jovem que se sentia chamada a ser religiosa e a entregar-se ao serviço dos pobres (mais tarde será a primeira das Filhas da Sabedoria), a qual será dado um hábito cinza em 2 de fevereiro de 1703.

 

Sem dúvida, as reformas encontram a mesma resistência que na vez anterior, e voltam a aparecer as querelas, as invejas e as calúnias do passado; assim, passados 15 meses depois de sua chegada, Luís Maria abandona definitivamente o Hospital.

As missões no interior da França

 

Se dedica então à pregação de missões nos subúrbios da cidade, acompanhado por um jovem leigo, Maturino Rangeard, primeiro membro de seu futuro grupo de colaboradores. Os êxitos obtidos nas missões suscitam a inveja dos que tinham a confiança do Bispo e este lhe ordena abandonar a diocese de Poitiers.

 

Luís Maria pensa então no que havia sido seu projeto inicial: as missões estrangeiras. Decidi ir à Roma, para consultar o Papa Clemente XI. Percorre o caminho a pé, e em 6 de junho de 1706 é recebido em audiência pelo Papa, que lhe concede o título de Missionário Apostólico e lhe anima a trabalhar na França em perfeita submissão aos bispos.

De volta a França e depois de um retiro no monte Saint Michel, se junta à equipe do Pe. Leuduger, dedicado a catequisar os camponeses da Bretanha nas dioceses de Saint Brieuc e Saint Malo. Mas, parece que Luís Maria não tinha liberdade como membro do grupo e, poucos meses depois, se separa do Pe. Leuduger.

 

Um ano atrás em retiro na ermita de São Lázaro, perto de sua terra natal, em companhia de seus irmãos leigos que haviam se colocado com ele (o irmão Maturino, já mencionado, e o irmão Juan), decide ir trabalhar, em julho de 1708, na diocese  de Nantes. Durante dois anos predicou missões nesta cidade e seus arredores, aumentando sua fama de grande missionário. O povo simples começou a chamá-lo de "o bom padre de Montfort".

 

Luís Maria tratava de prolongar os resultados espirituais de suas missões com a fundação de confrarias e associações que estimulavam as pessoas a permanecerem fiéis à renovação de suas promessas batismais. Também erigia calvários, como lembrança visível de suas missões. Estes calvários são muito lembrados, especialmente o de Pontchâteau, devido às circunstâncias que rodearam sua construção: depois de mais de um ano de trabalhos e participação de umas 20.000 pessoas, na véspera de sua bendição (13 de setembro de 1710), o bispo proibiu a cerimônia e avisou ao missionário que ele estava ordenando a demolição da obra. 

 

Depois deste duro golpe, que o bom padre de Montfort se submeteu em total obediência, aceita o convite dos bispos de Luçon e La Rochelle e deixa Nantes para começar a última etapa de sua vida: a que vai de 1711 a 1716, ano de sua morte.

 

Última etapa

 

Nestes cinco últimos anos, Montfort desenvolve uma intensa atividade. Está constantemente ocupado em pregar missões e exercícios espirituais. Sempre vai a pé de uma missão a outra. Realiza também, mas sem resultados, duas viagens em busca de colaboradores: uma à Paris, ao seminário do Espírito Santo (fundado por seu amigo Poullart de Places), e outra à Rouen, para tentar convencer seu amigo Blain, então Cônego da cidade.

 

Com a ajuda do bispo de La Rochelle, grande amigo seu, abre escolas gratuitas na cidade e em algumas paróquias rurais. À frente das escolas para meninas coloca Maria Luisa Trichet e Catarina Brunet, a quem havia feito vir de Poitiers, e à frente das escolas para meninos coloca os quatro irmãos que lhe ajudavam em seu trabalho missionário.

No entanto, foi difícil convencer outros sacerdotes para se juntarem e trabalharem com ele como membros da Companhia de Maria. No transcurso do último ano de sua vida, conseguiu, por fim, que se juntassem o Pe. Renato Mulot e o Pe. Adriano Vatel.

 

Em 5 de abril de 1716, Montfort começa a missão de San Lorenzo de Sèvre. No decorrer da mesma, cai gravemente enfermo, ao manifestar-se uma pleuresia aguda. Esgotado pelo trabalho, minada sua saúde pelas austeridades e pela enfermidade, morre em 28 de abril, segurando em uma mão o crucifixo que havia lhe dado o Papa Clemente XI e na outra uma pequena imagem de Maria que ele sempre levava consigo. Tinha quarenta e três anos.

 

Milhares de pessoas acompanharam seu funeral, na igreja paroquial de San  Lorenzo de Sèvre, onde repousam seus restos mortais. Pouco tempo depois de sua morte, se começou a propagar-se a notícia dos milagres que aconteciam junto a seu túmulo. O bom Padre de Montfort foi beatificado pelo Papa Leão XIII, em 22 de janeiro de 1888, e canonizado pelo Papa Pio XII, em 20 de julho de 1947. O Papa João Paulo II, grande devoto seu, visitou seu túmulo e rezou ante ele em 19 de setembro de 1996.

 

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