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Mistério Pascal

Nesses dias que estamos vivendo o mistério pascal de Jesus, recupero um texto bastante provocativo para nos ajudar a vivê-lo de maneira bem concreta e extremamente exigente!


(Tradução do original em francês)

"_Sim, frei Leão, disse Francisco com muita calma, o homem só é grande quando se eleva acima de sua obra para não ver mais do que somente Deus. Só então ele atinge toda a sua estatura. Mas é difícil, muito difícil. Queimar uma cesta de vime, que a gente mesmo fez não é nada, sabe, mesmo quando a gente acha muito bem feita. Mas desapegar-se da obra de toda uma vida é uma coisa bem diferente. Esta renúncia está acima das forças humanas."


Para seguir o chamado de Deus, o homem se entrega totalmente a uma obra. A faz com paixão e entusiasmo. Isso é bom e necessário. Só o entusiasmo é criador. Mas criar alguma coisa é também marcá-la com o seu selo, fazê-la sua, inevitavelmente. O servo de Deus corre, então, o maior perigo. Essa obra que ele realizou, na medida que se apega a ela, torna-se para ele o centro do mundo: coloca-a num estado de indisponibilidade radial. Será preciso um arrombamento para arrancá-lo dela. Graças a Deus, tal arrombamento pode acontecer. Mas os meios providenciais então usados são temíveis. São eles a incompreensão, a contradição, o sofrimento, o fracasso. E, as vezes, o próprio pecado que Deus permite. A vida de fé conhece então sua crise mais profunda, a mais decisiva também. Essa crise é inevitável. Apresenta-se mais cedo ou mais tarde em todos os estados de vida. O homem se dedicou a fundo à sua obra; acreditou dar glória a Deus pela sua generosidade. E eis que, de repente, Deus parece abandoná-lo à sua própria condição, não se interessar por aquilo que fez. Mais ainda, Deus parece pedir-lhe de renunciar à sua obra, abandonar aquilo para que se dedicou de corpo e alma durante tantos anos na alegria e na aflição.



"Toma teu filho, o teu único, aquele que tu amas. Parte para a terra de Moria, e lá o oferecerás em holocausto." (cf. Gn 22,2). Essa palavra terrível de Deus a Abraão, não tem verdadeiro servo de Deus que não a ouça um dia também. Abraão tinha acreditado na promessa que Deus lhe havia feito de lhe dar uma posteridade. Durante vinte anos tinha esperado pela sua realização. E quando enfim a criança veio, a criança na qual tinha sido depositada a promessa, eis que Deus ordena a Abraão de sacrificá-la. Sem nenhuma explicação. Pois é! É isso mesmo que Deus nos pede a nós também num ou noutro dia! Entre Deus e o homem parece que não se fala a mesma linguagem. Uma incompreensão surgiu. Deus tinha chamado e o homem tinha respondido. Agora o homem chama, mas Deus se cala. Momento trágico onde a vida religiosa beira o desespero. Onde o homem luta na noite com o Incompreensível. Acreditou que bastaria fazer isso ou aquilo para ser agradável a Deus. Mas é ele mesmo que se quer. O homem não é salvo pelas suas obras, por melhores que sejam. Ainda é preciso tornar-se a si mesmo obra de Deus. Deve fazer-se mais maleável e mais humilde nas mãos do seu Criador que a argila nas mãos do oleiro. Mais flexível que o vime nas mãos do cesteiro. Mais pobre e mais abandonado que a lenha morta na floresta no coração do inverno. Somente a partir desta situação de abandono e nesta confissão de pobreza, o homem pode abrir entregar-se totalmente à Deus, confiando-lhe a iniciativa absoluta da sua existência e da sua salvação. Entra então numa santa obediência. Torna-se criança jogando o jogo divino da criação. Para além da dor e do prazer, entra no conhecimento da alegria e do poder. Pode olhar com o mesmo coração o sol e a morte. Com a mesma seriedade e a mesma alegria.


(Éloi Leclerc. Sagesse d'un pauvre. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2007, p. 123-4)




















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